Por que você continua recebendo anúncios sobre algo que pesquisou uma única vez
Você pesquisa um produto apenas por curiosidade. Minutos depois, abre outro site e encontra um anúncio relacionado. Mais tarde, o mesmo tipo de produto aparece novamente em um aplicativo ou rede social.
A sensação é de que a internet ficou “presa” naquela única pesquisa. Mas isso não acontece por acaso. Sistemas de publicidade digital podem utilizar diferentes sinais para estimar seus interesses e decidir quais anúncios apresentar.
Uma única pesquisa pode ser suficiente para criar um sinal temporário de interesse, principalmente quando ela é acompanhada de outras ações, como visitar uma loja, abrir páginas de produtos ou permanecer algum tempo pesquisando o assunto.
O que acontece depois que você faz uma pesquisa
Ao pesquisar um produto, serviço ou assunto, diferentes informações podem ser geradas durante sua navegação.
Dependendo do serviço utilizado, das configurações da conta e das escolhas de privacidade, sistemas podem considerar atividades como pesquisas realizadas, páginas acessadas e interações com anúncios.
O Google, por exemplo, informa que anúncios personalizados podem considerar informações e atividades associadas à conta, de acordo com as configurações escolhidas pelo usuário.
Isso não significa necessariamente que uma empresa tenha criado um registro dizendo literalmente que você “quer comprar determinado produto”. Na publicidade digital, diferentes sinais podem ser combinados para estimar interesses e selecionar anúncios considerados relevantes.
Cookies ajudam a explicar a repetição
Os cookies são pequenos dados que sites podem armazenar no navegador. Eles possuem diversas finalidades legítimas, como manter uma sessão iniciada, guardar preferências e permitir determinadas funcionalidades.
Também podem participar de mecanismos relacionados à publicidade.
Imagine que você entra em uma loja virtual procurando uma cadeira para escritório. O site e seus parceiros de tecnologia podem registrar determinados eventos da navegação, dependendo das tecnologias utilizadas e das permissões aplicáveis.
Depois disso, você visita outra página que utiliza serviços publicitários relacionados. O sistema pode identificar sinais associados àquela navegação e considerar que anúncios sobre cadeiras, móveis ou produtos semelhantes têm maior chance de despertar seu interesse.
É uma das explicações para aquela conhecida impressão de que “o produto está me seguindo pela internet”.
O remarketing pode fazer um produto reaparecer
Uma técnica importante nesse processo é o remarketing, também chamado de retargeting em determinados contextos.
A ideia é relativamente simples: alcançar novamente pessoas que já demonstraram algum tipo de interesse ou interação.
Você pode, por exemplo, visitar uma página de determinado produto sem comprá-lo. Dependendo da configuração publicitária daquele negócio, essa visita pode ser utilizada para formar um público que posteriormente receberá campanhas relacionadas.
O Google Ads oferece recursos para alcançar segmentos formados a partir de visitantes de sites e outros tipos de interação, sujeitos às políticas e configurações da plataforma.
Por isso, às vezes nem é necessário realizar várias pesquisas. Uma visita a uma página específica pode funcionar como um sinal relevante.
Estar conectado à sua conta também faz diferença
Cookies não são a única peça desse sistema.
Quando você utiliza serviços conectado a uma conta, determinadas atividades podem ser associadas a ela, conforme as configurações e políticas daquele serviço.
Isso ajuda a explicar por que simplesmente apagar cookies nem sempre produz o resultado que algumas pessoas esperam.
Há ainda outros mecanismos utilizados na publicidade e na medição digital. O ecossistema é complexo e varia entre plataformas, navegadores, aplicativos e sistemas operacionais.
Portanto, não existe uma única explicação válida para todos os anúncios que aparecem.
Seu celular está ouvindo suas conversas para mostrar anúncios?
Essa é uma suspeita frequente, principalmente quando aparece uma publicidade relacionada a algo que você acabou de conversar com alguém.
Mas o simples fato de isso acontecer não demonstra que o microfone tenha sido utilizado para selecionar aquele anúncio.
Existem explicações muito mais comuns. Você pode ter pesquisado assuntos relacionados anteriormente, visitado determinado estabelecimento, interagido com conteúdos semelhantes ou simplesmente fazer parte de um público que os anunciantes pretendem alcançar.
Além disso, publicidade não precisa ser individualizada com precisão absoluta. Se milhares de pessoas com características ou comportamentos semelhantes demonstram interesse por determinado assunto, sistemas publicitários podem utilizar esses sinais para definir públicos.
A coincidência também tem peso. Ao longo de um dia somos expostos a muitos anúncios, mas tendemos a prestar atenção justamente naquele relacionado a uma conversa ou pesquisa recente.
Se estiver preocupado com o acesso ao microfone, é possível verificar as permissões concedidas aos aplicativos no Android ou iPhone. Os nomes e caminhos dos menus podem mudar conforme a versão do sistema.
Por que o anúncio continua aparecendo depois que você comprou?
Aqui aparece uma das limitações desses sistemas.
Demonstrar interesse e efetivamente comprar são eventos diferentes.
Uma plataforma publicitária pode receber sinais de que você visitou várias páginas sobre determinado produto, mas isso não significa necessariamente que todos os sistemas envolvidos saibam que a compra foi concluída.
Imagine que você pesquise uma mala de viagem em vários sites e depois compre uma em uma loja física. Os serviços nos quais você pesquisou podem continuar interpretando as visitas anteriores como sinais de interesse.
Consequentemente, anúncios de malas podem permanecer durante algum tempo.
É também por isso que publicidade personalizada nem sempre parece inteligente para quem a recebe.
Por que aparecem anúncios relacionados, e não exatamente o produto pesquisado?
Os sistemas não precisam mostrar exatamente o mesmo item.
Uma pesquisa por “notebook para trabalhar” pode contribuir para que apareçam anúncios de computadores, acessórios, cursos, softwares ou outros produtos associados ao contexto.
Os anunciantes também definem os públicos que desejam alcançar. Assim, o anúncio apresentado resulta de uma combinação de fatores, que pode incluir interesses estimados, contexto, características da campanha e configurações de privacidade.
O processo é mais amplo do que simplesmente transformar cada pesquisa em um anúncio idêntico.
Como descobrir por que determinado anúncio apareceu
Algumas plataformas oferecem ferramentas que ajudam a entender e controlar a personalização.
No caso do Google, a Minha Central de Anúncios permite controlar aspectos da experiência publicitária, incluindo personalização e determinados tópicos utilizados para anúncios.
Outras plataformas possuem controles próprios.
Quando encontrar um anúncio específico, procure opções como informações sobre o anúncio, preferências de publicidade ou explicações sobre por que ele está sendo exibido.
Essas ferramentas não necessariamente revelam cada processo técnico utilizado, mas podem fornecer informações úteis sobre a personalização.
Como reduzir anúncios baseados nos seus interesses
Não existe um botão universal capaz de controlar toda a publicidade da internet. Cada plataforma possui seus próprios mecanismos e diferentes sites utilizam tecnologias distintas.
Mesmo assim, algumas medidas podem reduzir a personalização:
- revisar as configurações de anúncios das contas que você utiliza;
- recusar cookies publicitários quando o site oferecer essa opção;
- revisar permissões de aplicativos;
- apagar dados de navegação quando isso fizer sentido;
- evitar permanecer conectado desnecessariamente em serviços;
- revisar periodicamente configurações de privacidade.
É importante entender uma diferença: desativar anúncios personalizados não significa deixar de receber anúncios.
Normalmente, você continuará vendo publicidade. O que muda é a possibilidade de determinados dados e sinais serem utilizados para personalizá-la, conforme as regras de cada serviço.
Navegação anônima resolve o problema?
Não completamente.
O modo anônimo ou privado do navegador é principalmente uma ferramenta para limitar o armazenamento local de determinados dados depois que aquela sessão é encerrada.
Ele não torna a pessoa invisível na internet e não impede automaticamente que sites, provedores ou serviços utilizados durante a sessão recebam informações relacionadas à conexão e à navegação.
Portanto, utilizar uma janela anônima pode reduzir determinados rastros locais, mas não deve ser entendido como uma solução completa contra rastreamento ou publicidade.
Uma única pesquisa realmente pode ser suficiente?
Pode.
Não existe uma quantidade mínima universal de pesquisas necessária para que um anúncio relacionado apareça. Diferentes sistemas possuem critérios próprios.
Além disso, aquela pesquisa que parece isolada pode ser apenas um dos sinais disponíveis.
Você talvez já tenha visitado conteúdos semelhantes, assistido a vídeos relacionados ou navegado em páginas da mesma categoria. A pesquisa recente apenas tornou a relação entre o seu comportamento e o anúncio mais perceptível.
É justamente essa combinação de sinais que faz a publicidade personalizada parecer tão precisa em algumas situações e completamente equivocada em outras.
Quando um anúncio começa a aparecer repetidamente depois de uma única pesquisa, portanto, a explicação geralmente está nos mecanismos de personalização, segmentação e remarketing utilizados na publicidade digital. Entender esses mecanismos permite revisar suas configurações de privacidade e decidir quanto da sua atividade você deseja utilizar para personalização.
Fontes consultadas
Minha Central de Anúncios, Google
